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ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL SECUNDÁRIO A DISSECÇÃO DE CARÓTIDA. TROMBECTOMIA MECÂNICA POR TECNICA ADAPT E RECONSTRUÇÃO DO VASO PORTADOR COM STENT FLOW-DIVERTER
Outubro 2019


Paciente apresentando síndrome de Horner e cervicalgia à esquerda há 1 semana. Chega à hemodinâmica após 8:50 horas do ictus após realização de Ressonância magnética com ASPECTS de 6 pontos no território da artéria cerebral média.

A angiografia digital evidenciou extensa dissecção carotídea. Tecnicamente foi realizado fenestração através da falsa luz seguido acesso à luz verdadeira, onde se evidenciou trombose proximal da artéria cerebral média, corroborando com os achados da ressonância magnética, seguido de trombectomia mecânica com sistema Penumba (Neuron MAX 088 + 3MAX + ACE 68 Reperfusion Catheter), havendo sucesso técnico com primeira passagem (TICI 3 A).

O tramento da dissecção foi prosseguido por reconstrução do vaso portador com 02 stents Pipeline Shield (flow-diverter).

Vários estudos randomizados estabeleceram trombectomia mecânica com alto nível de evidência para pacientes com oclusão grande vaso cerebral. Estes ensaios predominantemente usaram dispositivos de stent retriever para a trombectomia. Até o presente estudo (Compass) não estava claro se o benefício observado nestes ensaios persistiria quando utilizado um método alternativo de trombectomia por aspiração.

Uma técnica de primeira passagem direta por aspiração é uma abordagem para a realização trombectomia. Essa tecnologia utiliza um cateter para aspirar o trombo sem inicialmente ser utilizando um stent retriver. Se a aspiração por si só não fosse bem-sucedida, em seguida, ultilizaria alternativamente um recuperador por stent ou outros meios para fazer a trombectomia. Os estudos iniciais sugeriram que a aspiração direta como primeira abordagem  tem segurança promissora e eficácia clínica.

O estudo Compass é um estudo controlado randomizad que avaliou se os pacientes tratados com a abordagem primeira passagem com aspiração têm resultados não inferior funcionais em comparação com aqueles tratados com uma abordagem por stent retriever. Esse estudo apresentou como resultado funcional não-inferior conferida aos 90 dias em comparação com stent retriever comprovando uma alternativa ao stent retriever como terapia de primeira linha para trombectomia  mecânica no acidente vascular cerebral.

A dissecção extracraniana da artéria carótida interna (ACI) é uma importante causa de acidente vascular cerebral isquêmico adultos mais jovens. As estratégias médicas e cirúrgicas ideais para o manejo dessas lesões ainda não foram bem estabelecidas. A literatura apresenta alguns relatos de reconstrução extracraniana da artéria carótida iterna usando stents diviersores de fluxo sobrepostos como terapia de resgate para a tratamento da dissecção sintomática da ACI em pacientes com AVC isquêmico recorrente e / ou isquemia hemisférica grave com hipoperfusão.

A reconstrução da ACI como estratégia de resgate para dissecção extracraniana de carótida usando stents redirecionado de fluxo tem se mostrado uma técnica viável.

BIBLIOGRAFIA:

1. Lancet 2019; 393: 998–1008. Aquilla S Turk III at al. Aspiration thrombectomy versus stent retriever thrombectomy as first-line approach for large vessel occlusion (COMPASS): a multicentre, randomised, open label, blinded outcome, non-inferiority trial.

2. Christopher Alan Hilditch at al. Flow-diverter Stents for Internal Carotid Artery Reconstruction Following Spontaneous Dissection: A Technical Report